Senhores Passageiros

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Ricardo Gallo é repórter da Folha

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Maior parte dos passageiros de Cumbica chega mais de 3 h antes para pegar voo internacional

Por Ricardo Gallo
Congestionamento na alça que liga a rodovia Ayrton Senna à Helio Smidt, que dá acesso a Cumbica (Moacyr Lopes Júnior – 24.3.2010/Folhapress)

* Post alterado às 10h56

A dificuldade para se chegar de carro à maioria dos aeroportos brasileiros aparece, indiretamente, na pesquisa que a SAC (Secretaria de Aviação Civil) divulgou anteontem.

O levantamento, com 23.006 entrevistas em 15 aeroportos, constatou que boa parte dos passageiros chega ao aeroporto mais de três horas antes do voo.

Sim, mais de três horas.

Isso é mais do que as próprias companhias aéreas recomendam. Normalmente, a orientação para passageiros internacionais é chegar ao terminal entre duas e três horas antes –mais do que três horas, não.

Por que os passageiros estão chegando mais cedo, então? Uma das explicações possíveis é o tempo que se leva no caminho de casa/trabalho para o aeroporto.

Por exemplo: é muito comum para quem vive em São Paulo sair com horas de antecedência para ir ao aeroporto de Cumbica (Guarulhos, na Grande São Paulo),  o mais movimentado do país. Tudo para não depender de imprevistos no trânsito da marginal Tietê e das rodovias Ayrton Senna e Dutra, as ligações para o aeroporto.

Na pesquisa da SAC, 44% dos passageiros de voos internacionais em Cumbica –quase metade deles– haviam chegado ao aeroporto mais de três horas antes. É o maior índice entre os aeroportos pesquisados.

Chegar ao aeroporto mais cedo é bom para o passageiro, mas ruim para o aeroporto. Um terminal é projetado para manter um movimento contínuo de passageiros chegando e saindo. Se esse número aumenta, a infraestrutura é sobrecarregada, especialmente em um aeroporto que já opera com mais gente do que pode abrigar  –e a qualidade dos serviços cai.

(Da mesma maneira, como alertou o Gustavo, leitor do blog, há uma implicação positiva em ter mais gente no aeroporto: as receitas do aeroporto crescem, uma vez que há mais consumidores no terminal).

 Mesmo os passageiros de voos domésticos de Cumbica chegam muito antes ao aeroporto: 22% (ou um a cada cinco) aparecem para o voo mais de três horas antes.

Eis a diferença da facilidade de acesso: em Congonhas, quase um porta-aviões encravado na cidade de São Paulo, e no Santos Dumont, no centro do Rio, a maioria dos passageiros chega entre meia hora e uma hora antes –na medida para pegar o voo. Os dois aeroportos só têm voos domésticos.

SEM PERSPECTIVA

Pelo menos em Cumbica, não há muita perspectiva de a coisa melhorar quando o assunto são opções de acesso ao aeroporto. O governo do Estado promete entregar para 2015 um trem que ligará a estação Engenheiro Goulart da CPTM ao aeroporto.

Só que o trem não será adaptado para o transporte de passageiros: o vão entre o trem e a plataforma, por exemplo, é grande e pode dificultar a entrada de passageiros com malas. Não haverá espaço dentro do trem específico para acomodar bagagens.

E tem a demora para se chegar: em julho, uma simulação da Folha mostrou que, a partir da avenida Paulista, valerá mais a pena ir de ônibus ou de carro para o aeroporto.

Acesse aqui a íntegra da pesquisa da Secretaria de Aviação Civil.

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