Jato usado para transportar mensaleiros foi comprado para o combate à corrupção

Avião da Força Nacional decola de São Paulo transportando José Dirceu e José Genoíno.
Crédito: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Os réus do julgamento do mensalão foram transportados de São Paulo e Minas para Brasília em um jato ERJ 145-LR, fabricado pela Embraer.

Com capacidade para 50 passageiros, o avião foi adquirido pelo Ministério da Justiça em 2009 para a Força Nacional de Segurança Pública e está cumprindo sua missão.

Na época da entrega do avião, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, declarou que a aeronave iria reforçar a frota da PF e seria usada no combate a crimes ambientais e no combate à corrupção.

“Esse avião dá à Força Nacional uma agilidade para que, entre 24 e 48 horas, ela esteja à disposição dos governadores, em qualquer ponto do país, além de reforçar a frota da Polícia Federal, em função do combate aos crimes ambientais e, obviamente, do combate à corrupção”, afirmou.

A Força Nacional foi criada pelo presidente Lula em 2004 e é formada pela Polícia Federal e pelas polícias estaduais.

FROTA DA SEGURANÇA PÚBLICA

O país possui uma frota de 201 aeronaves dedicadas à segurança pública. Destas, 69 são aviões e 132 helicópteros. Mas muitas estão no chão por falta de manutenção. Essas aeronaves estão distribuídas nos Estados e também em órgãos como PF, Funai e Polícia Rodoviária.

Interior do ERJ 145-XR

POLÍCIA FEDERAL

Na PF são oito aviões e oito helicópteros.  Além do jato escalado para a missão de transportar os mensaleiros, há mais um ERJ 145-ER, também de 50 lugares. A aeronave está com certificado de navegabilidade suspenso pela  Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) desde maio por falta de manutenção.

Segundo informações do portal Piloto Policial, a PF conta ainda com um Embraer 121A1, emprestado para a Funai e que também está com a certificação suspensa desde 2010. Os demais são de pequeno porte e pelo menos um está no chão sem condições de voar. Dentre os helicópteros também há pelo menos três que não voam por falta de manutenção ou falta de pilotos habilitados.