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Ricardo Gallo é repórter da Folha

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Gol não vai aderir ao teto de passagens na Copa

Por mariana barbosa

A Gol decidiu que não vai adotar teto de preço de passagens na Copa do Mundo, como fizeram Avianca e Azul, que anunciaram um teto de R$ 999 para o preço das passagens.

A TAM não descartou a possibilidade, mas disse que a decisão só será tomada após a Anac divulgar a nova malha aérea com os pedidos de voos extras, o que deve acontecer até o final do dia.

Um levantamento de preços da Gol mostra que 90% das tarifas disponíveis no sistema para voos no período de 10 de junho a 15 de julho estão abaixo do teto de R$ 999. Em alguns trechos, como Brasília-São Paulo, Brasília-Rio, SP-Porto Alegre, SP-BH, Rio-Campinas e Rio-BH, nos dois sentidos, 100% das tarifas custam menos de R$ 999. Em alguns desses trechos, como Brasília-SP, era possível encontrar tarifas a partir de R$ 112,90 (consulta realizada ontem).

Os preços dos bilhetes estão registrados na Anac, que desde outubro tem feito o monitoramento de preço de passagens de todas as companhias.

O levantamento da Gol foi feito a pedido do Senhores Passageiros. As outras empresas também foram questionadas sobre o percentual de bilhetes oferecidos acima do teto -no caso de Azul e Avianca, antes da implementação do mesmo-, mas não responderam.

VOO EXTRA

As empresas aéreas solicitaram mais de 2.300 voos extras para o período da Copa, mas também fizeram muitos pedidos de cancelamento. O saldo líquido de voos adicionais, caso a Anac aprove todos os pedidos, será de 1.523 voos para, principalmente, datas próximas aos jogos da primeira fase do Mundial e para a final. Quantidade similar de voos extras deve ser solicitada ao longo da Copa, com datas e rotas que seguirão o desempenho das seleções com o maior número de torcedores.

São realizados hoje no Brasil cerca de 3,3 mil voos diários.

Só após a divulgação das autorizações dos pedidos das empresas pela Anac é que os voos extras poderão ser colocados à venda. Os primeiros a entrar no site das companhias quando as passagens forem disponibilizadas terão mais chance de encontrar os menores preços.

TETO

A adoção de tetos de preço de passagens, quando imposta por governos, tende a reduzir a concorrência e fazer com que os preços se aproximem do teto. Consultores ouvidos pela Folha dizem, contudo, que é cedo para dizer se o teto fará com que as passagens mais baratas desapareçam do sistema.

“Não acredito que, pelo menos com esses dois anúncios (da Azul e da Avianca), que a tarifa média possa sofrer pressão para cima exclusivamente por conta do teto”, diz Lucas Arruda, sócio da Lunica Consultoria em aviação.

Entretanto, Arruda acredita que o preço das passagens seguirá pressionado como resultado da relação entre demanda e oferta esperada para os próximos meses. “Qualquer possível efeito de uma tentativa de aumentar o preço médio, ainda que para as duas empresas somente, fica limitado em função da concorrência continuar ocorrendo para as tarifas menores.”

Para Frederico Turolla, sócio da Pezco Microanalysis, o teto para o período específico da Copa pode ser vantajoso para o passageiro conseguir se planejar.

“O teto aumenta a previsibilidade dos preços e facilita o planejamento por parte de quem vai assistir ao jogo. É como um seguro. Mesmo deixando para comprar mais tarde, a pessoa sabe que, se ainda houver passagem, não vai pagar mais do que R$ 999”, diz Turolla.

Ele acredita, contudo, que haverá muitos bilhetes por menos do que o preço teto. “O fato de uma companhia estabelecer um teto para si própria não significa que a medida será anticoncorrencial. É um fato episódico, o teto não vale para todos. Além disso, Avianca e Azul atuam em mercados distintos”, diz.

“Sempre que há um sinal de preço máximo, a tendência é que se grude nele. Mas em um ambiente de competição, as outras podem reduzir ou superar esse preço.”

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