Senhores Passageiros

sobre aeroportos, aviões e afins

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Problema em aeroporto deixa milhares de passageiros dentro de aviões… nos Emirados Árabes

Por Ricardo Gallo
Passageiros diante do balcão de informações da Etihad em Abu Dhabi (Crédito: Nelcy Del Grossi)
Passageiros diante do balcão de informações da Etihad em Abu Dhabi (Crédito: Nelcy Del Grossi)

Milhares de passageiros, entre os quais muitos brasileiros, ficaram presos dentro de aviões em um aeroporto nos Emirados Árabes Unidos.

O problema ocorreu por uma falha nos sistemas de auxílio a aterrissagem do aeroporto de Abu Dhabi.

Como consequência, voos com destino a Abu Dhabi foram desviados para outros aeroportos; 14 deles foram parar no aeroporto de Al Ain, a 160 km de Abu Dhabi.

Foi aí que começaram os transtornos dos passageiros. Aeroporto de menor porte, Al Ain não é preparado para receber o movimento súbito de aviões e passageiros. Há estrutura limitada para alfândega e imigração e também para alimentação dos passageiros.

Resultado: os passageiros ficaram retidos dentro dos aviões. Isso aconteceu porque passageiros em trânsito ou sem visto não puderam desembarcar em Al-Ain, segundo a Etihad Airways, companhia aérea cujo centro de distribuição de passageiros (hub) está em Abu Dhabi –e que, por isso, foi a mais afetada pelo problema no aeroporto. Voos da Emirates também foram prejudicados.

Em um voo da Etihad de Bangkok para Abu Dhabi, passageiros ficaram retidos dentro do avião por quatro horas em Al Ain.

“A coisa foi ficando tensa porque acabou a água, suco, comida, papel higiênico”, diz a executiva de marketing Nelcy del Grossi, que estava no voo. Segundo ela, ninguém da tripulação lhes dava informação concreta.

Nesse período de espera, a jornada de trabalho da tripulação venceu, e o avião não pôde sair até novos comissários e pilotos se apresentarem.

Quatro horas depois, o voo de Nelcy pôde enfim sair de Al Ain e ir para Abu Dhabi, onde, às 19h40 do Brasil (2h40 de sexta, 7 de março, em Abu Dhabi), ela aguardava um voo para o Brasil.

A executiva deveria ter chegado ao Brasil às 16h de hoje, mas só desembarcará às 13h de amanhã.

“O pior foi não ter tido atendimento adequado”, diz. “Só informação desencontrada.”

Por conta da necessidade de pegar um voo para o Brasil, não deu tempo de sair do aeroporto para ir a um hotel e tomar banho, por exemplo. “Estou morrendo de frio e nem cobertor tem mais”, disse.

OUTRO LADO

A Etihad Airways pediu desculpas pela situação, que, segundo a empresa, estava além do controle dela.

“Como resultado, não pudemos oferecer o nível de atendimento e serviço que normalmente prestamos. Todos os esforços estão sendo feitos para retificar esta situação infeliz e auxiliar os passageiros a minimizar a inconveniência resultante do desvio de seus voos. Os passageiros estão recebendo assistência com conexões para outros destinos ou acomodações em hotéis no caso de conexões longas”, informou a empresa.

A companhia disse que compensará passageiros prejudicados. As compensação variam de milhas no programa de fidelidade a voos de cortesia. Passageiros prejudicados devem escrever para feedback@etihad.ae e fornecer número de telefone para contato.

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