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Empresas aéreas cobram US$ 3,9 bilhões do governo da Venezuela

Por mariana barbosa

A Iata, principal associação internacional de empresas aéreas, acusa o governo da Venezuela de reter US$ 3,9 bilhões em divisas provenientes da venda de passagens.

Em março, o governo da Venezuela teria se comprometido a permitir a repatriação dos valores, mas os recursos seguem retidos devido a divergências em relação a taxa de conversão do dólar.

Segundo a IATA, a retenção de recursos provenientes da venda de bilhetes aéreos fere tratados internacionais dos quais a Venezuela é signatária. O problema afeta 24 companhias aéreas com voos para a Venezuela. Dentre as companhias está a brasileira Gol, que no final de março contabilizava um saldo de R$ 350 milhões no país vizinho. Em comunicado divulgado ontem, a Gol dá como “perdido”  US$ 34 milhões (R$75,9 milhões) desse total. O valor será contabilizado como despesa financeira no balanço do primeiro trimestre deste ano.

“Essa situação é inaceitável”, disse o presidente da Iata, Tony Tyler. “O governo da Venezuela prometeu a liberação do dinheiro a uma taxa de câmbio justa para repatriação em março, mas desde então houve muito pouco avanço. As empresas aéreas se comprometem a manter voos, mas isso não vai se sustentar indefinidamente se elas não forem remuneradas.”

A Iata defende que a taxa de câmbio usada para a conversão seja a da data de venda de cada bilhete.  Na maioria dos casos, segundo a Iata, a taxa foi de 6,3 bolívares para 1 dólar. Ainda de acordo com a Iata, o governo de Nicolás Maduro fez algumas propostas para liberar os recursos, mas com “descontos arbitrários” ou “taxas de câmbio inferiores”.

Os recursos somavam US$ 3,5 bilhões no final do ano passado, aumentando para US$ 3,9 bilhões com as vendas realizadas este ano. Além da retenção de recursos, as companhias aéreas reclamam que o governo aumentou as tarifas aeroportuárias em 70% no final do ano passado, sem nenhuma consulta prévia ou contrapartida de melhoria de serviço.

Das 24 companhias que operavam na Venezuela no ano passado, 11 reduziram o número de voos e uma deixou de voar.  “A conectividade da Venezuela está se deteriorando. Preservar e proteger essa conectividade deveria ser uma prioridade para o governo venezuelano. Estamos dispostos a ajudar, mas não podemos continuar sem que o governo se comprometa a honrar suas promessas”, disse Tyler.

A Iata representa 240 companhias em todo o mundo, equivalente a 84% do tráfego aéreo global.

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